Viver com um gato num bairro cheio de gatos de rua

Ilustração de uma paisagem

Em muitos bairros, os gatos de rua fazem parte da paisagem: passam nos telhados, dormem ao sol nos muros e atravessam os pátios ao entardecer. Para um gato que vive em casa, tudo isto é um espetáculo constante e, por vezes, uma fonte de inquietação. Convém perceber como reage o seu, porque há gatos que observam com curiosidade e outros que ficam tensos à simples visão de um vulto lá fora.

A janela é o sítio onde tudo acontece. Se o gato passa horas no parapeito, sempre de orelhas em pé, pode ajudar reduzir o que ele vê, com uma cortina mais leve, uma película translúcida na parte de baixo do vidro ou um móvel colocado de maneira a que o parapeito fique menos exposto. Não se trata de o privar da vista, mas de lhe dar uma vista mais tranquila.

Uma casa que o deixa descansar

À noite, os miados e as correrias de fora podem acordar o gato e, com ele, a casa inteira. Fechar as janelas da divisão onde ele dorme, ou dar-lhe um cantinho longe delas, com uma manta macia e uma caixa onde se possa esconder, ajuda-o a sentir-se seguro. Um sítio alto e sossegado, como uma prateleira ou um arranhador alto, dá-lhe também um posto de observação onde se sente protegido.

Brincar é uma boa maneira de gastar a energia acumulada. Uns momentos de jogo ao fim do dia, com um brinquedo de penas preso a uma cana ou com uma bola, deixam o gato mais tranquilo e desviam a sua atenção do que se passa lá fora. Uma rotina previsível, com horas certas para brincar e para comer, também o acalma.

Convém ter cuidado com as portas e as janelas, sobretudo quando há visitas ou obras. Um gato entusiasmado com um vulto lá fora pode aproveitar um descuido para sair. Uma rede na varanda ou uma proteção bem presa nas janelas mantém-no em segurança, mesmo quando ele decide que precisa de ver de mais perto.

Com o tempo, a maior parte dos gatos habitua-se e passa a olhar para o bairro como quem vê televisão. Basta dar-lhe um lugar confortável, alguma distração e uma casa calma, para que a vida entre dois mundos se torne serena, tanto para ele como para quem vive com ele.